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A minha primeira vez no Armazém do Ferreira foi na semana em que a Michele Rocha, amiga dos tempos da faculdade, esteve em Brasília no ano passado e visitávamos uma média de dois bares por noite, sendo que pagávamos as contas utilizando maquininhas do VISA – porque a vida é agora! – enquanto os garçons arrastavam mesas, cadeiras e apagavam as luzes do estabelecimento, numa tentativa de expulsar os últimos clientes-turistas-arruaceiros que não entendem porque os bares do Plano Piloto fecham às duas da madrugada.

Localizado na 202 Norte, numa quadra tranquila e relativamente fácil de estacionar, o Armazém do Ferreira pertence à lista dos bares que, de certa forma, são ponto obrigatório para se conhecer a vida boêmia – até duas horas da madrugada – da capital de nosso país.

O ambiente e o chopp são agradáveis e é extremamente difícil manter o copo vazio. Garçons com capacitação em reposição de chopp, com ênfase na antecipação ao pedido do cliente, estão sempre de olho nos copos vazios e quase vazios. Para os garçons do Armazém, os copos estão sempre mais pro meio-vazio que pra filosofia do meio-cheio. Destaque especial para o sanduíche de pernil com geléia de ameixa que é perfeito.

Mas, mais do qualquer coisa, o fato marcante da noite no Armazém foi ter saído de lá apaixonada pelo garçom. Ao escolher o pedido no cardápio, ele retrucava com a voz cheia de razão:

- Não, você não dá conta de comer tudo isso! Pede outra coisa!

Ao perguntar que horas o bar fecharia, ele respondia:

- Na hora que você quiser!

E, após pagar a conta, quando, ao levantar da mesa, um esbarrão derrubou um copo que se estilhaçou no chão causando espanto e apreensão, ele fala em alto e bom tom, após olhar pros outros garçons:

- Pode deixar, eu pago!!

E neste mundo de cão, em que a cada dia que passa é cada vez mais difícil encontrar um homem com atitude, que fuja do estereótipo homem-sensível que se emaranha em indecisões em frases como “você que sabe”, “o que você preferir” e “ai, meu deus, o que eu faço?”, que me fazem entrar em crises de identidade em que fico desejando poder fazer o papel de mulherzinha da relação, confesso que – apesar de não ter esses fetiches – saí de lá suspirando..

Volto sempre que posso e recomendo!