Um belo dia estava passeando pelo fim da Asa Norte, buscando um lugar pra comer antes de ir pro cursinho. Na comercial da 316 norte, ia de bloco em bloco buscando algum lugar que me acolhesse e me desse apenas alguns minutinhos de tranqüilidade antes das três horas e meia de direito civil que me aguardavam. E lá fui eu, entrando nos locais mais ermos do fim dessa asa norte, em busca de algum conforto. Na minha primeira tentativa me aventurei numa padaria. Nas prateleiras não havia nada, apenas coxinhas frias, guaranás quentes. Próximo bloco. Do lado de trás outra lanchonete com um mundo de mesas vazias. Entrei pra olhar e vi os olhos do dono, atrás do balcão, se encherem de esperanças. A mesma coisa. Salgados frios, que seriam esquentados no microondas quando eu fosse comer. Saí da lanchonete me sentindo desolado. Perto de mim passavam pessoas estranhas e oprimidas… Ouvi um gato miando bem de longe. No canto da comercial havia uma mulher descabelada, moradora de rua, que levava seus pertences em um carrinho de supermercado. Olhou bem em meus olhos e disse, quase gritando: “Devolva-me! Quero meu gatinho de volta! Você sabe do que estou falando!”

gatinho
Senti medo e fugi. Nesse momento me senti mal. Estava sozinho, com medo, com fome. E havia três horas de prescrição, decadência e afins a me esperar. Foi nesse momento que ouvi uma música ao fundo me dizendo: “Instead of feeling sad, be glad! There’s someone who loves you!” Eu conhecia aquela voz, era a Madeleine Peyroux! Fui ver de onde vinha aquela música que me chamava. Ao dar a volta no bloco, encontrei um garçom que estava arrumando a decoração externa. Arrumando as gaiolas, colocando as frutas e os pratos na mesa…

Era um restaurante chamado Panelinha. Nas proximidades da loja havia um jardim muito bonito. Pedi o cardápio para ver e me agradou. Havia vinhos a preços acessíveis, panelinhas de carne de sol, de frutos do mar… Mas estava com pressa agora! Afinal, o tempo urge, e tinha de me apressar pro tão temido direito civil.

Voltei na mesma semana e descobri um ótimo restaurante. Comi uma carne de sol muito gostosa, com arroz, mandioca cozida, vinagrete e farofa. A música estava perfeita. O ambiente é muito acolhedor! Como estava frio, havia pequenos fogareiros com brasas ao lado das mesas. É bom encontrar lugares especiais, né?
Panelinha: comida boa, música boa e segurança para os perigos da vida. Eu recomendo!

3 comentários
Feed de comentários deste artigo
13/08/2009 às 20:12
Gelson
Parabéns pela belíssima crônica sobre o Panelinha. Escreve como poeta, não dá vontade de parar de ler.
14/08/2009 às 1:28
alexandre
Mr. Guuuuuuy!!!!!
Linda crônica mesmo! Você não deveria ter falado sobre o segredo da crônica!
Se o assunto nao fosse comida, eu leria mais isso aqui hehehe
05/04/2010 às 10:31
aline e carol
aiii kii lindooo