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E durante uma das muitas e intermináveis discussões filosóficas – com algumas agressões gratuitas à minha pessoa por parte de um sujeito que não convém citar (ou falar sobre) por agora- que se iniciam pela manhã no gmail e se estendem por horas e horas até terminar tudo virando um samba do afrodescendente portador de sequestros neurais compulsivos, surgiu o pretexto de “acertar detalhes da viagem” para nos encontrarmos pessoalmente num final de noite de uma sexta feira qualquer.

 

Sexta, 22:30h, no Barça.

 

E era ainda 22h quando estava eu assim, daquele jeito, esparramada e cheia de preguiça, sentindo cada um de todos os anos de vida que me pertencem, enquanto zarpeava pelos canais de televisão, decidida a passar uma noite de sexta digna de alguém que trabalha arduamente todos os dias úteis da semana. Foi quando o celular tocou.

 - Mi?

- Oi

- Bora?

- Tenho preguiça..

- Levanta, 1, 2!

 

Fácil assim me convencer. E justo na sexta do Globo Repórter sobre adoção! Troco de roupa com toda a minha preguiça e saio de casa para ser a primeira a chegar no bar. Um se distraiu comprando flores, outra sai atrasada de casa, outro tava junto com o que perdeu as horas distraído com as flores, outro tava junto com a que saiu atrasada de casa e outra – de novo! – num blind date.

 

Peço uma mesa para seis ao garçom e sou prontamente atendida. Ambiente agradável, cheio de estilo em seus cantos e recantos: quadros, pinturas, bandeiras, entre tantos outros detalhes a serem percebidos ao longo das demais visitas ao local. Bem frequentado, naquela quantidade de pessoas que é suficiente para encher o local sem torná-lo desagradável e intransitável. Já que bar vazio é um tanto quanto deprimente e acabo me sentindo quase que encenando Amy em sua decadência e falta de senso.

Música ambiente naquele volume alto o suficiente para que você consiga identificar a música- quem sabe até cantar junto -, mas que ainda lhe permite conversar com as pessoas sem ser aos gritos e utilizando técnicas de mímica.

Dentro dos padrões brasilienses, o atendimento se destaca pela educação, rapidez e prontidão. E do cardápio experimentamos algumas coisinhas quentes e outras tantas frias. Tudo MUITO bem preparado e acompanhado de molhos deliciosos. Carpaccio divino, bem temperadinho. Croquete de frango perfeito, tanto quanto o de queijo – apesar de algumas divergências no grupo. Sobremesa de mousse de chocolate espetacular. Só não recomendo a porção de azeitonas recheadas – excessivamente salgadas.

 

Quanto às bebidinhas, fiquei só na coca por – além da preguiça – estar dirigindo. Mas “petisquei” alguns goles de vinho branco, espumante e sangria nas taças dos outros. Taças lindas, leia-se.

 

Por fim, apenas o preço não tão acessível que nos faz deixar assim – fácil-fácil – algo em torno de quarenta reais por três horas de consumação, o que se dirá nos dias em que se quer perder a noção do tempo numa mesa de bar petiscando e bebendo até o apagar das luzes – seja do bar ou da sua consciência. Enfim, lugarzinho estilo gigolô: bonitinho, divertidinho, mas custa caro sustentar.

Por tudo isso só o chamo de Barcelona. Falta me recursos financeiros e coragem para ser íntima a ponto de chamá-lo de “Barça”.