Brasília é uma cidade jovem e grande. Com mais de 2 milhões de habitantes e menos de 50 anos, essa cidade é única.

Não sei como ocorre nas outras cidades do país, mas aqui é muito comum que mais da metade de seus amigos tenha vindo de outros lugares do Brasil. Assim como, que a outra parte, que é brasiliense, ainda guarde uma grande ligação com os lugares de origem de suas famílias. Sinto falta de tradições brasilienses. Talvez ainda não tenha dado tempo de se construir uma identidade brasiliense (frise-se que nunca ouvi ninguém em meu círculo de amizade chamar bicicleta de “camelo”, a gíria brasiliense mais propagada pelos que escrevem sobre esse assunto).

Mas talvez já existam algumas iniciativas importantes. Considero o Bar Beirute (localizado na 109 Sul) um exemplo de tradição brasiliense. Apesar de não ser um bar freqüentado por todos os brasilienses (algo impossível), com 44 anos, ele se tornou um ponto de referência. É só se falar em Beirute, que algumas ideias vêm à cabeça. O filé a parmigiana. O Diabo Verde. A cerveja gelada. O parquinho para as crianças. Os garçons com seus ternos vinhos. A bagunça. Mas acho que a característica que pula à cabeça quando se fala em Beirute, é o seu público.

Não se sabe exatamente como aconteceu, mas em algum momento de seus 46 anos de história, o Beirute foi atraindo o público gay da cidade. O bar, em si, não é gay nem trata diferentemente seu público de acordo com sua orientação sexual. Durante a semana, é possível encontrar famílias almoçando, executivos curtindo um happy hour, um grupo de amigas patricinhas, conversando à vontade ou crianças brincando no parquinho. No entanto, ao lado dessas figuras tão comuns em qualquer outro bar da cidade, é comum que se encontre, também, a “tribo” GLS (e uso essa expressão na falta de encontrar uma melhor). Ah, sim… Nas noites do fim-de-semana, o bar é dominado pelos gays, fazendo esquentas para as festas.

Acho o Beirute um ótimo bar. A bebida está sempre gelada e o atendimento é rápido e eficiente. O cardápio é repleto de opções gostosas de comida pra ajudar o álcool a não bater forte. E está sempre cheio de gente, o que é muito importante para um bar que se preze.

De dia, ele também não faz feio como restaurante. Tem pratos muito gostosos a preços justos (ai, que filé a parmigiana gostoso…).

A casa tem tudo pra continuar por muito tempo fazendo sucesso na cidade. E acho que é isso que vai acontecer mesmo. Há alguns anos, inauguraram outra filial na 107 Norte, que tem feito muito sucesso também e que conseguiu manter o “jeito” Beirute.

Bem, vamos avaliar o bar pelos quesitos do nosso “Projeto meu bar”?

- Ambiente com personalidade: atende (e o público tem papel importante nisso).

- Cardápio: muito bom.

Atenção especial para: o Quibe frito, o Quibeirute (todos falam dele, mas eu não acho tão especial), o combinado de quibe cru, com pão sírio, homus, coalhada seca e o Filé a Parmigiana.

- Atendimento bacana: Bom (menos nos fins de semana à noite, quando o Bar fica entupido e o atendimento, compreensivelmente, decai um pouco).

- Música: não tem.