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Operário padrão é aquele que acorda bem cedo, prepara a marmita, enrola no pano-que-serve-de-guardanapo junto com o garfo e sai para o trabalho com o sol raiando. Ok, eu não sou uma operária padrão. Às vezes esqueço a marmita em casa. E, num desses dias, estava eu no shopping que fica bem no meio da cidade, o Conjunto Nacional. O nome realmente caiu como uma luva já que reúne um “conjunto” de opções mais diversas. De chaveiro a boutique de luxo, de banco a loja de edredons.
E eis que essa miscelânea veio bem a calhar, como sempre. Subindo a escada rolante que sai de dentro da Riachuelo, no 1º piso, me deparo com a visão de um oásis quando se está morrendo de sede. Tudo bem, eu só estava com fome, já que era a hora do almoço, mas quem diria que não é extremamente agradável descobrir um lugarzinho novo, aparentemente aconchegante, sem aquela muvuca da praça de alimentação do 2º piso e que, voilà, vende comida?!
Commo Gastronomia é o nome do restaurante, encrustrado na praça da saída da Riachuelo, bem no final da parte norte do shopping. De uma lojinha estreita saem os garçons com os pratos solicitados pelos clientes mediante pagamento prévio. Funciona assim: ao entrar na área das mesas, delimitada por uma decoração com orquídeas, é feito o pedido e o pagamento antes mesmo de se sentar à mesa. A proposta da casa é oferecer um fast-food com classe. Os garçons tentam ser solícitos, ainda que o horário do rush gastronômico dificulte isso.
Os pratos são do tipo executivo, com opções de montá-los ou escolher algum que já venha pronto. Ao optar pela montagem, pode-se escolher um tipo de carne (preços variando em torno de R$15,00) e demais acompanhamentos cobrados separadamente. Eles custam até R$5,00, aproximadamente, e contam com salada, arroz, farofa, batatas, massa, etc. Escolhi um que já vinha pronto: picadinho com arroz e farofa de banana. A porção é boa para quem está com fome, como eu naquele caso, e o custo benefício é bom, se contarmos também o ambiente e o atendimento. A casa oferece alguns tipos de carne, como filés e picadinho, peixe (vi apenas salmão) e massas.
A localização é bem interessante, uma vez que, ao chegar, você já vê se é possível tentar um lugar ali ou se vai direto para o apinhado de gente do outro piso. O atendimento conta com garçons educados, que tentam manter-se calmos e solícitos. A presença do dono merece ser destacada, está sempre atento a qualquer deslize e procura corrigi-lo. Pude perceber isso já que o prato da amiga que almoçava comigo demorou e descobrimos mais tarde, junto aos pedidos de desculpas do dono, que o pedido não havia chegado até a cozinha. O prato chegou tarde. E a casa mereceu e merece um voto confiança.
Nessa semana é oficial: dia 21 de junho, às 11h28, entramos no inverno! Mesmo que a cidade já esteja em clima de inverno desde o começo desse mês com essa onda de frio que faz com que seja cada dia mais difícil sair de baixo das cobertas.
Além de dormir, nós do Em Gula temos uma outra arte que é maravilhosa e combina muitíssimo com o inverno: comer! Vamos dar algumas dicas aqui do que comer pra se aquecer um pouco mais em nossa cidade gélida.
Um lugar que fizemos a crítica recentemente e que cai muito bem nesse inverno é o Café Savana. É claro que um café, um chocolate quente ou um capuccino vai bem nesse clima friozinho, mas o que eu tenho pra recomendar do Savana são as sopas e cremes que eles servem na panhoca (aquele pão italiano redondo, com a casca bem dura). Vocês que ainda não conhecem, não sabem o que estão perdendo! Cada dia tem uma sopa ou creme diferente e os pãezinhos de batata que eles servem junto com manteiga são maravilhosos!
Outros cafés que vocês podem se aquecer nesse inverno são o Martinica e o Café A Capella, ambos já falados aqui. Um outro lugarzinho que eu me esquentei esses dias, tomando um cappuccino em uma charmosa caneca azul, acompanhado de uma boa torta de frango, foi o Cobogó, na 704/5 norte (perto da Esquina Mineira). Se você estiver passando por perto, vale a pena dar uma conferida. Ele fica em uma loja de artigos de design que fogem um pouco do lugar comum que vemos em Brasília (mesmo a loja tendo a cara de Brasília!).
E os fondues?! Tenho uma ótima recomendação para os apaixonados: o Chez Fondue na 407 sul. Ambiente super intimista, oferece um ótimo fondue com uma deliciosa batata rösti e ótimos vinhos para acompanhar. Eu já vi no cardápio que eles oferecem raclette e, se for no padrão do fondue deles, acredito que deva ser muito boa. Uma ótima sugestão para o inverno.
Outra ótima opção para o frio são as noites do Panelinha. Eles têm um ótimo sistema de aquecimento com brasas, temperadas com canela, exalando um delicioso aroma, para complementar seus ótimos e fartos pratos. Finalmente, encerro o post recomendando um vinho no Rayuela, melhor ainda se for naqueles sofazinhos do andar de cima se vocês conseguirem reservar.
Espero que vocês aproveitem o inverno para degustar todas essas oportunidades quentes de Brasília!
Ahhh, la France! Um dos países que mais foi agraciado com as dádivas dos deuses em suas maravilhas gastronômicas. Apesar de ter descoberto ontem pelo Rodrigo Leitão (blog Gourmet Brasília) e pelo Michel Elias (coordenador do curso de gastronomia do IESB) que a maior parte das técnicas e serviços franceses foram copiados, acredito que foi uma das melhores cópias já feitas na história gastronômica do mundo! Ah! Se eu pudesse e meu dinheiro desse, eu comeria pelo menos uma vez por semana em um restaurante francês. Mas, como a situação do meu bolso e dos cardápios dos restaurantes desse tipo não estão muito compatíveis, a gente se contenta com o de vez em quando.
Todo ano, no meu aniversário, saio para almoçar ou jantar em algum lugar especial. Nesse ano não foi diferente: fui ao Toujours Bistrot, na 405 sul, no horário do almoço. Já tinha comido o cassoulet de lá uma vez e adorei! De todos que já comi, só perde pro que a minha mãe faz.
A decoração do restaurante tem inspiração na Provence francesa, com aqueles móveis brancos, pátinas, toalhas quadriculadas verdes e vasos com lavanda, em um ambiente com uma boa iluminação natural e duas fontes de água que parecem trazer uma calma ao ambiente.
O serviço foi bastante prestativo, com garçons disponíveis o tempo todo e a presença do maître por todo salão pareceu coordenar muito bem a atuação dos mesmos.
Mas, vamos ao que interessa: a comida! Conversei com o gerente da casa, o Benildo, que me trouxe umas informações importantes sobre os ingredientes usados nos pratos. Os pães de campanha do couvert, por exemplo, são comprados na Boulangerie e, acompanhando os pães veio um terrine delicioso (cuja base é de lombo de porco, bacon e fígado de frango). Foi uma entrada maravilhosa para acompanhar um sauvignon blanc chileno que pedimos.
Como prato principal, mesmo depois de muita dúvida e indagação, eu não resisti e pedi o confit de canard (que nada mais é que a coxa e sobrecoxa do pato, escrito em francês) que vinha com o molho da própria banha do pato, que fica confinado por 4 horas para apurar o sabor. O confit veio deitado em uma cama de maravilhosas batatas salteadas na manteiga! A batata fica molhadinha com o molho do pato… Delícia! A apresentação de todos pratos que já comi lá era impecável, como deve ser na cozinha francesa.
De sobremesa, como não podia deixar de ser em um restaurante francês, pedi o crème brûlée que tanto adoro. Toda vez que como não consigo não lembrar que um dos prazeres da vida para a Amélie Poulin era quebrar o açúcar cristalizado que vem por cima da sobremesa!
O Toujours definitivamente vai pro “Deliciem-se”! Aliás, fica aqui essa super dica pro dia dos namorados, mas sejam precavidos e façam reservas antes (o telefone de lá é o 3242-7067)!
Um dia estava eu passeando pela 409 sul quando vi uma lojinha bem bacana. Apesar de não estar no meu itinerário, fui explorar para ver o que era. Era um café, chamado Blenz Café, que tinha acabado de abrir, com pães de queijo e alguns muffins na prateleira, dois simpáticos atendentes e sem nenhum cliente (o clima agradável, proporcionado pelo ar condicionado se fez notar também).
“Tem tempo que vocês abriram?”, perguntei.
“Só tem duas semanas.”
“Qual o horário de funcionamento?”
“Ficamos abertos até 1h da manhã.”
“Interessante…”, pensei. “Tem Internet sem fio?”
“Tem sim.”
Saí e fui pro meu destino, mas fiquei com aquele local na cabeça. Queria voltar lá outro dia pra ver se era bom mesmo…
Minha rotina atual se resume a frequentar aulas e bibliotecas. Devo confessar que tenho sérias dificuldades em me disciplinar, o que torna esse momento de minha vida especialmente estressante. Em um dia de ansiedade frente a uma noite a ser passada numa biblioteca, eu me lembrei do Blenz Café. Será que lá seria um bom local para se estudar? Ah, não custava nada experimentar.
Cheguei lá com minha mochila e me sentei no canto. Ao lado de minha mesa, havia uma tomada para eu ligar meu notebook. “Muito bom!”, pensei.
Pedi um capuccino. Abri meu notebook. Coloquei meus fones de ouvido (pra me isolar do mundo) e pronto! Eu estava conseguindo estudar. Passaram-se umas 3 horas e mais um espresso até que meu momento de estudo tivesse sido vencido com louvor. Fui embora satisfeito, com a sensação de dever cumprido.
O Blenz Café é um local muito bom para se estudar, como eu disse, mas não se resume a isso. Percebi que ele é ótimo para grupos de 2 ou 3 pessoas que queiram um local calmo para conversar. Lá você poderá escutar o que seu colega fala. A seleção de músicas é de muito bom gosto e numa altura agradável. O atendimento também é muito bom. Sempre que vou lá percebo pequenas reuniões rápidas de negócios. Também vejo casais de namorados, tentando se encontrar por meia horinha durante uma semana apertada.
No cardápio, misto-quentes, tortas, sanduíches e saladas.
São bons, mas nada especiais e um pouco caros. O mesmo ocorre com os cafés e sucos. Apesar disso, esse Café vai pro “Deliciem-se” e não pro “Corram”, ou pro “Pero no Mucho…”. Me explico. Tenho certeza de que vocês não vão se lembrar do Blenz pela comida de lá. Mas vão se deliciar, sim, com o ambiente acolhedor e propício para oferecer uma pequena pausa no seu dia-a-dia. Um local ótimo para sentar e ler uma revista. Perfeito para encontrar-se com alguém importante, nem que seja você mesmo.
PS: tem uma faixa falando que você pode alugar o andar de cima pra jogar Wii com os amigos. Nunca perguntei pra ver se é verdade, nem como funciona. Vai lá e descubra!









