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Certa vez, passeando em uma livraria, li, em alguma contra-capa de um livro do qual não lembro o nome, a síntese do sentimento de quando o domingo está terminando. Dizia algo mais ou menos assim: “toda vez que ouve a música do Fantástico, sente um aperto no seu coração e uma tristeza sem fim porque o final de semana está acabando”.

 

Bom.. há tempos já não assisto mais o Fantástico, mas esse aperto-no-coração-e-uma-tristeza-sem-fim ainda se repetem em todo final de domingo. E foi no quitinete que resolvemos nos distrair de toda essa depressão pré-segunda-feira na noite de domingo. 

 

Localizado em uma das quadras mais movimentadas-e-badaladinhas de Brasília, na 209 sul, o quitinete fica logo-ali no meio da quadra. Apesar de super-badalada-frequentada-lotada, é com relativa facilidade que se encontra bons lugares para se estacionar. Inclusive, para quem quiser se aventurar pelas trilhas da quadra residencial, uma delas, bem ao estilo siga-o-coelho-branco, leva a um local super bem localizado – praticamente atrás do quitinete – em que sempre é possível encontrar vagas.

 

Funcionando em um prédio de dois andares – apesar de ter lido em algumas críticas e sites que o prédio é de três andares, ainda não consegui encontrar esse tal terceiro andar, então ele continua tendo apenas dois andares para mim - num misto de padaria-lanchonete-lanhouse-cafeteria-restaurante-bancaderevista-e-loja-de-utensílios-e-outras-coisinhas, é praticamente uma loja de conveniência, com a diferença de ter mais charme, atendentes mais bonitos e não funcionar 24 horas por dia.

 

O quitinete pertence à minha lista secreta de esconderijos dentro de Brasília. As poltronas imensas, nas quais é impossível sentar sem esparramar-se-jogar-quase-deitar em frente às janelas imensas – que só ficam abertas durante a noite e na ausência de fortes ventos e chuvas – acompanhadas de uma mesa toda em madeira rústica e uma gaveta misteriosa que nunca tem nada dentro (um dia ainda deixarei alguma carta destinada a algum desconhecido) formam o contexto necessário para reflexões profundas e existenciais. Afinal, foi nessas poltronas que decidi grandes questões de minha vida no cara-ou-coroa tomando um perfeito café com nutella, ou raspando o fundo sedimentado com a colher no melhor estilo pequenos-prazeres-nas-pequenas-coisas-da-vida.

 

Confesso que assim que cheguei ao segundo andar, meu coração quase se partiu ao avistar uma mesa comum com cadeiras comuns em frente a uma das janelas imensas. Mas, como sou brasileira-e-não-desisto-nunca, continuei no melhor estilo pensamento-positivo-de-o-segredo e respeirei aliviada ao perceber que ainda restavam as poltronas na outra janela. Nessa confusão toda, acabei passando reto sem reconhecer o Gabriel, fato que foi perdoado porque ele também não me reconheceu (deve ser porque não deu tempo de secar e alisar o cabelo pós-banho-de-fim-de-churrasco-em-clube).

 

Após longos minutos de indecisão quanto ao cardápio por conta do sentimento de quero-pedir-mil-coisas-ao-mesmo-tempo, pedi um wok e um guaraná. A comida estava boa, o ambiente estava bom, alguns garçons eram muito bonitos e o atendimento estava dentro do padrão de normalidade esperado para Brasília.

 

Alguns amigos sabem que minhas exigências para gostar de um lugar não são muitas. Por fim, enquanto as poltronas absurdamente confortáveis estiverem lá, de frente pra janela, enquanto o ambiente for bonito e agradável e, fundamental e principalmente, enquanto houver a companhia de um amigo com o qual é possível conversar por horas seguidas – sobre todos os assuntos banais e sérios deste mundo cão – sem se sentir o passar do tempo, trocar confidências e expor fatos e sentimentos – dos mais elevados aos mais indignos – para se terminar uma noite supostamente trágica de domingo rindo até chorar e chegando em casa rouca de tanto falar, todo o resto não passa de pequenos detalhes.

 

Por isso, volto sempre e ainda recomendo.

 

 

Prezados,

É com enorme desprazer que eu venho dar-lhes uma notícia: um restaurante bom foi-se ao chão. E não se trata de uma decadência adorável, que, por muitas vezes, eu me animo, como é o caso do restaurante chinês Long Palace Xiang da Academia de Tênis. É uma decadência da prestação de serviços e da qualidade dos pratos.

O Quitinete já foi o meu refúgio para finais de semana quentes, para tomar uma soda italiana ou, melhor ainda, um brunch aos domingos (ou chá da tarde nos dias em que a cama me prendeu até um pouco mais tarde). Porém, de um ano para cá, não tenho tido experiências bem sucedidas na casa mais acessível de Mara Alcamim.

Não desisto fácil das coisas que eu gosto. No último ano dei várias chances à casa. Ano passado, naquela onda de calor terrível que assolava a Capital Federal em outubro, fui com a Camila à casa, procurar a deliciosa soda italiana e saborear um croissant de chocolate feito pela casa. Chegando lá, o ar condicionado do segundo andar não estava funcionando. O lugar estava um forno! Impossível de ficar. Ficamos na padaria do 1º andar apenas para matar a nossa vontade pelo croissant de chocolate, que estava delicioso, devo admitir. Umas 2 semanas depois, voltamos, ainda castigados pela onda de calor. Para nossa surpresa, o ar condicionado ainda não estava funcionando! Como uma gerência deixa um restaurante sem ar condicionado em um período de calor pleno! Não tinha uma viva alma no restaurante. Apenas os garçons, que são obrigados a ficar naquele calor infernal.

Croissant de Chocolate

Ontem, dei mais uma chance para eles. Fomos (eu e Michelli) tentar curar a depressão dominical com um belo prato. Já comecei sendo infeliz. Eu mesmo. Não foi culpa deles: pedi uma soda italiana de rosas. O que eu tinha na cabeça? Não prestou.

Escolhemos pratos parecidos. Pedimos a Wok: eu de camarão, ela de filet mignon. Acompanha abobrinha e cenoura, cortadas com o magic slicer, além de arroz integral. Eu já havia comido esse prato antes. Não sei o que aconteceu dessa vez: o tempero estava bom, mas não estava maravilhoso. Da outra vez que o comi, achei ótimo. Dessa vez o curry não estava bem apurado, não senti todo o sabor da outra vez.

Para me senti melhor pedi uma soda italiana de maçã verde, que nunca falha! Esperei 20 minutos e nada da soda. A soda, para ser preparada, nada mais é que um xarope misturado com água gaseificada e gelo. Não tem motivo para demorar. Perguntei ao garçon, ele foi checar. Mais 5 minutos, ele volta e me pergunta: “vocês pediram uma soda italiana? ” “sim, pedi” “qual era o sabor”. Daí pra soda chegar, foram mais 10 minutos. Irritante!

Só o croissant de chocolate para salvar a noite. Quando ele chegou, eu já estava salivando. Cortei o primeiro pedaço. Cadê o croissant fresquinho que serviam no Quitinete??? Ahhhh! Nããããooooo! A massa estava mole! E densa. Acho que ficou pra história.

Se eu tiver que me decepcionar, que seja gastando menos. Pois, pagar uma conta de 40 reais para não comer tão bem e ser mal atendido, não está mais nos meus planos.

Vou ter que achar um novo consolo para meus domingos à noite chuvosos. Só me restou o algodão doce que a Michelli me trouxe de uma festa de criança para melhorar meu paladar depois de algumas decepções.

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